Friday, 22 October 2010

In the shadow of the valley of death


Dante's Inferno, Xbox 360!

Um bom jogo pode levar-nos a locais recônditos da existência, e este é um deles... O medo da morte vive em cada um de nós e esse receio leva alguns a procurar algo mais do que a possibilidade do "oblivion"...

Estando eu imerso neste ambiente de terror, literatura e... morte, passeando pelos 9 círculo que Dante Alighieri concebeu para a sua "Divina Comédia", fez-me recordar os 7 pecados mortais/capitais, institucionalizados ainda hoje...

A Igreja Católica decidiu institucionalizar este pecados, pois o pecado sempre foi apanágio dos seus ensinamentos desde os primórdios. Os pecados são divididos em duas grandes categorias: pecados venéreos, que são relativamente menores e que podem ser perdoados pelos sacramentos da Igreja, seja através de oração  ou actos de caridade e outros mais severos, designados de mortais. Estes pecados mortais são, teologicamente, acreditados de destruir a graça da vida dentro da pessoa e daí criar a ameaça da condenação, a menos que esse pecado fosse absolvido através do acto de penitência, aquando de uma confissão ou perdoado através de contrição por parte do pecador ou mesmo por graça de Deus.

Estes pecados mortais, mais correctamente capitais, mais não são do que aqueles que estão na origem destes.

Possivelmente, o séc. XIV, popularizando estes pecados através das obras dos artistas da época, levaram a uma massificação e consciencionalização destes na própria Igreja e na sua cultura (sendo estes os detentores do ensino e do conhecimento na altura).

Estes pecados são, em latim: superbia, avaritia, luxuria, invidia, gula, ira e acedia.

A lista nem sempre foi composta por estes pecados, tendo evoluído ao longo dos tempos, tal como a maioria das tradições cristãs e formatada pelo Papa Gregório I em 590 D.C. Claro que o significado de cada um deles evolui e modificou ao longo do tempo, pois tiveram que se adaptar às condições sociais presentes em cada década, no entanto, algo pode ser definido em cada um deles, uma linha que os acompanha nesta linha de tempo.

Orgulho (superbia) ou hubris:
É o pecado considerado o original e mais sério de todos os 7 e talvez mesmo a fonte última, de onde todos vão beber. É identificado com o desejo de ser mais importante ou atraente do que os demais, falhando no reconhecimento do valor dos outros e mesmo um narcisismo exacerbado, chegando ao ponto da própria deificação. Verificamos o poder deste pecado no prórpio Lúcifer, o anjo designado "Estrela de Manhã", que por orgulho, desejou competir com Deus. Na Divina Comédia de Dante, os penitentes eram forçados a andar lajes de pedra caindo das suas costas, para induzir-lhes sentimentos de humildade.


Ganância (avaricia) ou avareza:
É um dos pecados do excesso. Na Igreja este é o pecado do desejo voraz humano por riqueza, estatuto e poder.  S. Tomás de Aquino escreve mesmo que a ganância é um pecado mortal contra Deus devido ao facto dos pecadores preterirem coisas mundanas por algo mais espiritual. Claro está que neste pecado muitas mais vertentes coexistem nele, desde deslealdade, traição deliberada, acumulação de objectos ou materiais, roubo, trapaça, etc... No Inferno de Dante, os penitentes eram presos e deitados de cabeça para baixo no chão, por terem concentrado demasiado em pensamentos materiais.




Luxúria (luxuria) ou extravagância:
É o pecado relacionado com os pensamentos ou desejos de ordem sexual. Como Aristóteles definia em excesso de amor por outros em detrimento e secundariamente para Deus. Dante apresentou estes pecadores   a caminhar sobre chamas para se purgar dos pensamentos/sentimentos sexualmente exagerados.




Inveja (invidia) ou cobiça:
Relaciona-se com um desejo insaciável, perante várias coisas mundanas. Está relacionado com o facto de querer algo que outra pessoa possui mas com o intuito de que  deixe de possuir/ter. Este pecado pode ser ligado directamente aos 10 mandamentos "Não cobiçarás a casa do teu próximo, a mulher do teu próximo nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo". No Purgatório de Dante, os pecadores têm os seus olhos cosidos com arame pois pecou por ver os outros e querer despojá-los dos seus pertences.



Gula (gula):
O exagero da indulgência e consumo  de qualquer coisa até ao ponto de exaustão. Na Igreja é um pecado capital devido ao excesso de desejo por comida e retenção na fonte dos necessitados. Claro está que todos necessitamos de comer, no entanto o exagero da sua necessidade é que leva a este pecado. Tomás de Aquino chegou ao ponto de indicar 6 maneiras de cometer este pecado, a saber: comer demasiado cedo, comer demasiadamente caro, comer excessivamente, comer avidamente, comer demasiado delicadamente e comer descontroladamente. No Dante's Inferno os 'gulosos' são arranhados, esfolados, esmagados, dilacerados e esquartejados por Cérbero o cão guardião das portas do inferno, maio cão meio dragão.


Ira (ira) ou raiva:
Sentimento incontrolável de raiva ou ódio. O ódio é dos sentimentos que mais perdura no tempo, quando levado ao limite e pode manifestar-se em diversas formas tal como impaciência, vingança e perseguição.
A ira é o pecado que pode não ser conotado com egoísmo e interesse próprio. Dante descreve a ira como um suposto amor pela justiça, mas que se perverte em vingança e pesar, sendo que o suicídio é a forma última deste pecado, pois é a rejeição final pelo presente de Deus, a vida. Ele idealiza a penitência dos suicidas como árvores sombrias que caem e voltam constantemente a nascer e dos irados contra Deus, condenados a um deserto árido e incandescente.





Preguiça (acedia) ou apatia:
Verificamos este pecado na negligência de fazer algo que devemos efectuar. Pode ser traduzido numa indiferença apática; depressão e melancolia, numa dinâmica de necessidade interior. Na Igreja este pecado é anexo à falta de alegria pela Vida e logo por Deus e sua obra. Por outro lado, a apatia é vista como a recusa da necessidade de ajuda aos outros em tempos de necessidade. Para Dante este pecado é vislumbrado como a falha de amar a Deus com todo o nosso coração, mente e amor.


Por muito que levemos a nossa vida de uma forma equilibrada e 'correcta', todos passamos por algum destes pecados na Vida, de uma forma mais ou menos intensa. Será esta lista uma forma da Igreja nos dizer que façamos o que façamos, somos impuros e devemos penitenciar-nos para evoluir? 

A viagem pela Vida é sempre cheia de percalços, mas é tão bom viver no 'fio da navalha'!!!!

;-[*

P.S. "We have no future
Heaven wasn't made for me
We burn ourselves to hell
As fast as it can be
And I wish that I
Could be the king
Then I'd know that I am not alone"

- Marilyn Manson


Tuesday, 19 October 2010

Don't cry


"...
Às 23h em ponto, as luzes baixam até se apagarem e ouve-se a música de entrada...
A espera estava finalmente esquecida e o coração ansiava pelos primeiros acorde de "Chinese democracy". Com o DJ Asha a dar o mote, inicia-se a aventura gunner que durou até aproximadamente 3h de excelente música, muita emoção e felicidade redobrada. "Chinese democracy" dá o mote ao excelente show e é super aclamada pelo público. Digamos que é um no "Jungle", século XXI, com punjança, lirismo e suor q.b.
De seguida, e sem qualquer pausa Axl abre ainda mais as goeas e solta o seu grito "Do you know where the fuck you are? You're in the jungle baby, wake up, time to die"... Nem seque paramos de saltar, tal a ovação que o público envia em direcção da banda, que se revela mais coesa desde a última vez que a vi (3/4 anos atrás).
Tommy Stinson sem aviso prévio, findada a música anterior, trilha o som com a famosa linha do "It's so easy" e nós continuamos, sem parar, num delírio uníssono. Excelente batida, com o famoso "Fuck off" e tudo para deliciar olhos e mente...
Finda a prestação anterior, "Mr. Brownstone" ataca e continua a onda de euforia pelos fãs mais antigos e os mais novos também se elevam neste poderio.

Pausa...

Depois da injecção descontrolada, a pausa aparece, merecida para todos e gozada por essas mesmas pessoas...

"Sorry" entra para nos deliciar a consciência e o coração, com uma melodia muito à la Pink Floyd e que surte um excelente efeito ao vivo.
Após o efeito hiponotizante da anterior, somos sufocados pelo intenso poder da nova "Shakler's revenge" que apesar de tudo, soa bem melhor no cd, no seu emaranhado de guitarras, distorção, gritos e afins...
Axl pára um pouco e apresenta Richard Fortus para ele nos presentear com uma versão rockalhada do tema original da série de filmes "James Bond".
Servindo de prelúdio para a próxima, que mais não poderia ser que "Live and let die", aqui acompanhada com explosões muito quentes, que nos remetem para 92 e a digressão "Use your illusion world tour".
Do nada, e após explosão atrás de explosão, somos presenteados com "This I love", que apesar de bela, fica aquém do seu valor, pois o Axl decide puxar pela sua voz demasiadamente, o que nos deixa a sonhar com algo de mais sentimental.

Pausa...

Axl apresenta mais alguns elementos que se reúnem para a portentosa "Rocket queen" que faz os fãs saltar, vibrar e viver a melodia com de 25 anos.
Dizzy Reed desce do seu pedestal e, com o piano em frete ao público, empreende um instrumental glam rock do tema "Ziggy Stardust", que permite vislumbrar "The blues", que se revela inebriante numa noite que ainda vai no adro.
"You could be mine", após a apresentação de Brain, revela-se talvez a música mais poderosa entre o público e a banda nesta longa noite de 'intermission' na nossa vida.
O público aplaude e DJ Asha faz a sua performance de um original seu "The ballad of death". Mostra o quão competente é e a musicalidade que sai de cada acorde seu.
Com toda a energia a revolver ainda por dentro, "Sweet child o' mine" atinge o público em delírio e todos cantam como se cada um de nós tivéssemos escrito essa letra.

Pausa...

As luzes encontram-se baixas e Axl senta-se ao piano, como um prelúdio de algo já conhecedor de todos nós, mas não sem antes fazer um pequeno dueto com o público numa versão pianeira de "Another brick in the wall part II", seguida por instrumentais à la Mr. Elton John de "Goddbye yellow brick road" e "Someone saved my life tonight".
Sem chuva, mas todos molhados de suor, ouvimos com o coração na boca "November rain", que foi para mim um dos momentos mais belos e surreais de toda a noite. Chorei de felicidade por estar ali e por estar vivo e bem com a vida, apesar de tudo e de nada...
Antes de sair do palco, Axl apresenta-nos Bumblefoot, o meu guitarrosta preferido destes novos GN'R e. com a sua guitarrada, leva-me à minha infância e da minha mana e presenteia-nos com o tema da "Pink Panther", excelente.
Passada a visão do passado, entra "Better", que se revelou uma versão mais electrónica e menos rockeira, mas que também é a música do novo álbum que o público mais depressa reconhece. Bom ou menos bom, teve aqui e foi muito aplaudida.
Sem qualquer pré-aviso, chega o momento da noite em que o dueto, o desafio é lançado e todos têm que entrar, "Knokin' on heaven's door" é solta e o público apanha-a e atira-a de volta à banda com um poderio tal que as próprias fundações do Pavilhão Atlântico se juntam à melodia intemporal.
Ainda com o coração aos pulos e a emoção à flor da pele, somos levados aos primórdios dos GN'R e esbofeteados com "Nice boys",versão hard rock dos Rose Tatoo, que faz parte do reportório de covers desde o primeiro E.P.
Querendo continuar na onda do hard rock tradicional, "I.R.S." irrompe pelos speakers, mas deixa-me um sabor amargo, pois não é das minhas preferidas e não foi a melhor versão ao vivo, pois o Axl ainda se revelou mais estridente do que anteriormente e acho que ainda não percebeu que tem um "Catcher in the rye" que vale muitíssimo mais do esta cena toda... (desabafo).
Para recuperar o público da prestação estonteantemente estranha da anterior, dá-nos "Nightrain" e faz de novo as pazes.

Pausa...pausa...pausa...

Prenuncia-se um encore potente, pois parece-nos que ainda faltam algumas pérolas e toda a gente se pergunta quais...
A entrada faz-se com Bumblefoot a fazer um solo de re-aquecimento, apesar de ninguém ainda ter arrefecido nem um pouco e ataca a minha verdadeira surpresa da noite "Don't cry (original)", tocada mais numa vertente da versão demo e que deliciou mesmo o fã mais rockeiro hard core que ali estava presente e me levou a sonhar com o lado B! da vida, a minha adolescência ao som desta melodia intemporal.
Para felicitar todos os que ainda estão presentes na sua vida, Axl fez "Madagascar" e apresenta-nos sempre esta música com uma ilusão de excelência de vida, mostrando-nos que sim, a vida vale a pena, lutemos e venceremos.
Quem diria que após o recolhimento emocional da anterior iríamos saltar com outra cover já com barbas "Whole lotta Rosie" dos nossos AC/DC, que sempre fica bem em qualquer alinhamento rock.
"Waiting for a friend" dos Rolling Stones faz-nos saudades dos tempos em que "Wild horses" previa a melodia seguinte que só poderia ser "Patience", também catada em uníssono por uma plateia que já evidenciava algumas falhas de pessoas, pois o dia seguinte foi dia de trabalho...
E, para finalizar, a sempre eterna "Paradise city", que fechou com chave de ouro um concerto sem falhas, om emoção às toneladas e que durou praticamente 3h, mostrando que Axl Rose e os seus Guns N' Roses ainda são donos da cena musical rock e amam o que fazem. Muito obrigado GN'R!"*

*retirado do meu diário.

P.S. "Don't you cry tonight
I still love you baby
Don't you cry tonight
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
And don't you cry tonight"