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Às 23h em ponto, as luzes baixam até se apagarem e ouve-se a música de entrada...
A espera estava finalmente esquecida e o coração ansiava pelos primeiros acorde de "Chinese democracy". Com o DJ Asha a dar o mote, inicia-se a aventura gunner que durou até aproximadamente 3h de excelente música, muita emoção e felicidade redobrada. "Chinese democracy" dá o mote ao excelente show e é super aclamada pelo público. Digamos que é um no "Jungle", século XXI, com punjança, lirismo e suor q.b.
De seguida, e sem qualquer pausa Axl abre ainda mais as goeas e solta o seu grito "Do you know where the fuck you are? You're in the jungle baby, wake up, time to die"... Nem seque paramos de saltar, tal a ovação que o público envia em direcção da banda, que se revela mais coesa desde a última vez que a vi (3/4 anos atrás).
Tommy Stinson sem aviso prévio, findada a música anterior, trilha o som com a famosa linha do "It's so easy" e nós continuamos, sem parar, num delírio uníssono. Excelente batida, com o famoso "Fuck off" e tudo para deliciar olhos e mente...
Finda a prestação anterior, "Mr. Brownstone" ataca e continua a onda de euforia pelos fãs mais antigos e os mais novos também se elevam neste poderio.
Pausa...
Depois da injecção descontrolada, a pausa aparece, merecida para todos e gozada por essas mesmas pessoas...
"Sorry" entra para nos deliciar a consciência e o coração, com uma melodia muito à la Pink Floyd e que surte um excelente efeito ao vivo.
Após o efeito hiponotizante da anterior, somos sufocados pelo intenso poder da nova "Shakler's revenge" que apesar de tudo, soa bem melhor no cd, no seu emaranhado de guitarras, distorção, gritos e afins...
Axl pára um pouco e apresenta Richard Fortus para ele nos presentear com uma versão rockalhada do tema original da série de filmes "James Bond".
Servindo de prelúdio para a próxima, que mais não poderia ser que "Live and let die", aqui acompanhada com explosões muito quentes, que nos remetem para 92 e a digressão "Use your illusion world tour".
Do nada, e após explosão atrás de explosão, somos presenteados com "This I love", que apesar de bela, fica aquém do seu valor, pois o Axl decide puxar pela sua voz demasiadamente, o que nos deixa a sonhar com algo de mais sentimental.
Pausa...
Axl apresenta mais alguns elementos que se reúnem para a portentosa "Rocket queen" que faz os fãs saltar, vibrar e viver a melodia com de 25 anos.
Dizzy Reed desce do seu pedestal e, com o piano em frete ao público, empreende um instrumental glam rock do tema "Ziggy Stardust", que permite vislumbrar "The blues", que se revela inebriante numa noite que ainda vai no adro.
"You could be mine", após a apresentação de Brain, revela-se talvez a música mais poderosa entre o público e a banda nesta longa noite de 'intermission' na nossa vida.
O público aplaude e DJ Asha faz a sua performance de um original seu "The ballad of death". Mostra o quão competente é e a musicalidade que sai de cada acorde seu.
Com toda a energia a revolver ainda por dentro, "Sweet child o' mine" atinge o público em delírio e todos cantam como se cada um de nós tivéssemos escrito essa letra.
Pausa...
As luzes encontram-se baixas e Axl senta-se ao piano, como um prelúdio de algo já conhecedor de todos nós, mas não sem antes fazer um pequeno dueto com o público numa versão pianeira de "Another brick in the wall part II", seguida por instrumentais à la Mr. Elton John de "Goddbye yellow brick road" e "Someone saved my life tonight".
Sem chuva, mas todos molhados de suor, ouvimos com o coração na boca "November rain", que foi para mim um dos momentos mais belos e surreais de toda a noite. Chorei de felicidade por estar ali e por estar vivo e bem com a vida, apesar de tudo e de nada...
Antes de sair do palco, Axl apresenta-nos Bumblefoot, o meu guitarrosta preferido destes novos GN'R e. com a sua guitarrada, leva-me à minha infância e da minha mana e presenteia-nos com o tema da "Pink Panther", excelente.
Passada a visão do passado, entra "Better", que se revelou uma versão mais electrónica e menos rockeira, mas que também é a música do novo álbum que o público mais depressa reconhece. Bom ou menos bom, teve aqui e foi muito aplaudida.
Sem qualquer pré-aviso, chega o momento da noite em que o dueto, o desafio é lançado e todos têm que entrar, "Knokin' on heaven's door" é solta e o público apanha-a e atira-a de volta à banda com um poderio tal que as próprias fundações do Pavilhão Atlântico se juntam à melodia intemporal.
Ainda com o coração aos pulos e a emoção à flor da pele, somos levados aos primórdios dos GN'R e esbofeteados com "Nice boys",versão hard rock dos Rose Tatoo, que faz parte do reportório de covers desde o primeiro E.P.
Querendo continuar na onda do hard rock tradicional, "I.R.S." irrompe pelos speakers, mas deixa-me um sabor amargo, pois não é das minhas preferidas e não foi a melhor versão ao vivo, pois o Axl ainda se revelou mais estridente do que anteriormente e acho que ainda não percebeu que tem um "Catcher in the rye" que vale muitíssimo mais do esta cena toda... (desabafo).
Para recuperar o público da prestação estonteantemente estranha da anterior, dá-nos "Nightrain" e faz de novo as pazes.
Pausa...pausa...pausa...
Prenuncia-se um encore potente, pois parece-nos que ainda faltam algumas pérolas e toda a gente se pergunta quais...
A entrada faz-se com Bumblefoot a fazer um solo de re-aquecimento, apesar de ninguém ainda ter arrefecido nem um pouco e ataca a minha verdadeira surpresa da noite "Don't cry (original)", tocada mais numa vertente da versão demo e que deliciou mesmo o fã mais rockeiro hard core que ali estava presente e me levou a sonhar com o lado B! da vida, a minha adolescência ao som desta melodia intemporal.
Para felicitar todos os que ainda estão presentes na sua vida, Axl fez "Madagascar" e apresenta-nos sempre esta música com uma ilusão de excelência de vida, mostrando-nos que sim, a vida vale a pena, lutemos e venceremos.
Quem diria que após o recolhimento emocional da anterior iríamos saltar com outra cover já com barbas "Whole lotta Rosie" dos nossos AC/DC, que sempre fica bem em qualquer alinhamento rock.
"Waiting for a friend" dos Rolling Stones faz-nos saudades dos tempos em que "Wild horses" previa a melodia seguinte que só poderia ser "Patience", também catada em uníssono por uma plateia que já evidenciava algumas falhas de pessoas, pois o dia seguinte foi dia de trabalho...
E, para finalizar, a sempre eterna "Paradise city", que fechou com chave de ouro um concerto sem falhas, om emoção às toneladas e que durou praticamente 3h, mostrando que Axl Rose e os seus Guns N' Roses ainda são donos da cena musical rock e amam o que fazem. Muito obrigado GN'R!"*
*retirado do meu diário.
P.S. "Don't you cry tonight
I still love you babyDon't you cry tonight
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
And don't you cry tonight"



















